Penso na vida como uma montanha-russa, embora a ideia de uma roleta-russa também seja apropriada. Em trinta anos, já vivi tantos altos e baixos que, na média, minha vida seria uma pacata planície. Uma verdadeira bobagem, por isso não acredito em gráficos. O sabor da vida e da desgraça está no cume do prazer e no fosso do sofrimento. Não há nada mais triste do que ser normal – toda a mediocridade de querer ser aceito como todos os outros me dá náuseas. A História é feita dos extremos, porque é isso que fascina o espírito humano: a dialética, o maniqueísmo, a ilusão de que há o bem contra o mal, a falácia de que o anverso do amor é o ódio. O primeiro looping a me lançar para o alto foi o meu nascimento, ou como gosto de pensar: a minha estreia. Primeiro filho de imigrantes russos, a gélida e inebriante Mãe Rússia é a minha pátria avó, mas conheci o mundo a partir destas terras tropicais em que a estética do calor dita as regras de comportament...
LiteromaQuia é o blog que reúne alguns dos meus textos, principalmente narrativas breves e poemas.