Havia uma mulher nua na esquina. Vi de relance. Vi quase não vendo nada. A mulher nua estava em uma esquina; eu, na outra. Nossas trajetórias se encontraram na mesma rua, uma linha reta, mas com o pouco que vi, apenas percebi que ela estava nua. Duas ruas transversais nos separavam. Eu seguia um caminho, ela o cruzava em disparada. Tivesse eu passado trinta segundos antes, ou tivesse ela se atrasado meio minuto, estaríamos de frente um para o outro. Uma rota de colisão. Estivéssemos tão próximos, poderia lhe perguntar o porquê de estar nua. Por que estava nua na rua, mulher? O fato não teve outra testemunha. Toda a nudez foi apenas para os meus olhos. Foi tão rápido, uma correria, e meus olhos não enxergam muito bem à distância. Não sei se era bonita. A pele era branca, mas não era leitosa. Talvez gostasse de praia. A mulher nua talvez passasse horas no sol defronte ao mar. A morenice que os genes não lhe deram, haveria o sol de tratar. A mulher estava nua, mas não percebi marcas ...
LiteromaQuia é o blog que reúne alguns dos meus textos, principalmente narrativas breves e poemas.