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Uma vida atravessada

            Sobressaltado, Teodoro acordou com batidas na porta de sua casa. Ainda tonto após ter bebido o que restava da garrafa de cachaça, ele olhou o relógio de plástico pendurado na parede e percebeu os dois ponteiros sobrepostos: indicavam as 2 horas e 10 minutos da madrugada. Afastando o ralo cobertor de lã para o lado, sentiu o ar frio que entrava pela janela naquela primeira noite de inverno. Após apoiar os pés no chão, procurou o par de chinelos que não lembrava onde tinha deixado. Embora a cabeça dolorida bambeasse como se houvesse uma discordância entre ventos do leste e ventos do oeste a se movimentar dentro do crânio, Teodoro tateou no escuro até encontrar o interruptor de luz. No mesmo instante em que a escuridão se dissipou, ele ouviu novas batidas na porta, dessa vez acompanhadas de uma voz que anunciava gravemente: é a polícia! Tentando apressar o passo erradio, vestiu uma calça de abrigo que estava ao lado da c...