Uma chuva fina escurecia o céu invernal. Desperto às 6 horas de um domingo, Gaspar, deitado na cama ao lado da esposa, tentava recordar as imagens do recente sonho que tivera. Quem afinal era o homem que lhe dissera para entrar, mas que do mesmo jeito impassível lhe ordenara para sair? Embora buscasse um sentido para essa vivência onírica, não conseguia ligar os pontos e formar uma imagem explicativa. O trajeto na estrada em que todos os transeuntes, exceto ele, caminhavam de costas, corpos que não tinham braços, mas um olho na nuca, também não encontrava qualquer entendimento em sua racionalidade. Vestido com o pijama, os chinelos e uma capa de chuva, Gaspar foi até a frente de sua casa para buscar o jornal arremessado pelo entregador. O plástico que envolvia o periódico manteve as suas folhas secas, ao contrário dos pés dele, que deixaram pegadas molhadas no tapete da entrada da residência. Enquan...